Os jovens de hoje (I)

Hoje em dia é difícil falar dos jovens pois é uma realidade muito vasta e diversa. E no que concerne à relação dos jovens com a Igreja e a sua participação, não poderemos traçar um quadro linear. Temos de reconhecer que os jovens estão inseridos num mundo que lhes faz mil e uma propostas, as quais muitas vezes não é fácil de escolher.

Entre essas propostas encontra-se aquela da Igreja, propondo-lhes sobretudo um caminho de descoberta de Cristo e se si próprios.

É esse o principal objectivo de uma pastoral catequética e juvenil: proporcionar aos jovens uma experiência forte de Cristo, que os marque profundamente e oriente as suas vidas.

O problema muitas vezes é ter a atenção dos jovens, cativá-los. É uma tarefa árdua e que nem sempre dá os frutos que estamos à espera.

 

Um retrato dos jovens de hoje

Actualmente não é fácil fazer uma análise da condição juvenil, pois é uma das realidades que mais sentiu a mudança cultural dos últimos 50 anos. A partir da década de ’50, com o desenvolvimento económico, acentua-se e consolida-se a tendência por parte dos jovens, de constituir-se num verdadeiro e definido grupo social: a chamada condição juvenil. (... a partir dos anos 50 emancipação da mulher... anos 60, fenómeno musical... anos 70, contestação)

A mudança cultural destas últimas décadas terá uma grande influência na vida e pensamento dos mesmos jovens, influenciando consequentemente a sua visão de religião e de experiência religiosa.

Para além da aparente homogeneidade que parece classificar o mundo juvenil (modo de vestir, atitudes, relação com a família e grupo de coetâneos, gestão do tempo livre) a sua identidade apresenta-se hoje extremamente diversificada, fragmentada.

Na breve análise que vos proponho, tomei em consideração os indicadores que parecem classificar de modo geral a actual condição juvenil: o fenómeno cultural da subjectividade, o aumento das possiblidades de escolha e a flexibilidade da identidade; estes indicadores depois serão importantes para uma posterior leitura da experiência religiosa dos jovens.

 

a) Forte subjectividade

 

e desencanto político

Algumas sondagens revelam uma forte subjectividade que conduz ao primado da consciência individual e ao minimizar das referências objectivas.

A subjectividade é uma das características fundamentais da nossa cultura ocidental, desenvolvida pela antropologia neste último século e que culmina com a constatação da preponderância do sujeito.

Outro aspecto interessante e que caracteriza a actual condição juvenil, é a situação de “desencanto” na qual vivem os jovens. Os grandes ideais dos estudantes das décadas de ’60 – ’70, que se caracterizavam pela forte intervenção e actividade política, desvaneceram-se. Este desencanto em relação aos grandes ideias políticos é visível no desinteresse dos jovens no que respeita à política, em contraposição com as gerações anteriores.

O jovem de hoje, desencantado com os grandes ideais, refugia-se na esfera quotidiana e nas relações interpessoais, dando deste modo uma grande importância à sua própria experiência. Porém, não podemos ficar por uma visão superficial mas procurar colher o carácter culturalmente inovador deste desencanto.

Podemos desvendar neste desencanto a recusa de um certo modo de fazer política e o desencanto em relação às tradicionais formas de participação; por outro lado persiste a procura de protagonismo, que se exprime de um modo diverso em relação ao passado, mais congruente com uma situação de desvanecimento das grandes esperanças.

O jovem hoje parece, então, tender para uma acentuada capacidade de controlo do próprio percurso de vida, para uma consciência cada vez maior da vida quotidiana, por um leque cada vez maior das possibilidades de escolha, pelo emergir de um projecto e de uma intenção nas dinâmicas da vida quotidiana: todos estes elementos são mais fortes do que qualquer condicionalismo,contradição, limite imposto pela vida numa sociedade complexa.

 

Objectivo da pastoral juvenil:

proporcionar aos jovens uma experiência  de Cristo, que oriente as suas vidas.

 

Juan Noite